O meu filho tem psoríase,

o que é que isto significa?

 

O tratamento deve ser iniciado nas crianças o mais cedo possível, devendo ser escrupulosamente seguido. Os aconselhamentos médicos sobre os cuidados da pele têm igualmente que ser escrupulosamente seguidos.
É importante manter um estilo de vida saudável para ajudar o sistema imunitário da criança a lidar com a psoríase.
As placas podem causar problemas graves nas crianças, as quais têm que aprender a gerir e a tratar a sua condição. Para fazerem isto, estas precisam do total apoio da família.

 

Características

Cuidados

Actividades

Dieta

Ajuda

Formas diferentes

Localizações

Estratégicas terapêuticas

Tratamentos

 


A psoríase surge na infância em 15% dos casos e antes dos 20 anos em um de cada três casos. É uma dermatose crónica não contagiosa que resulta de uma predisposição genética específica. Pode ser desencadeada por factores ambientais que podem ser externos (como a mudança de estação ou a fricção da roupa na pele) ou internos (como as doenças infecciosas, o stress emocional e determinados medicamentos).

 

As manifestações clínicas da psoríase numa criança são geralmente semelhantes às dos adultos. No entanto, nas crianças a condição assume frequentemente formas atípicas que podem originar problemas de diagnóstico. Determinadas dermatoses infantis que envolvem as nádegas, sobrancelhas e couro cabeludo assemelham-se muito à psoríase.

"Esta condição pode originar complexos porque as outras pessoas são cruéis. Uma vez, quando eu estava numa piscina da zona, tinha eu 8 anos, uma mulher obrigou a filha dela a sair da piscina porque tinha medo que eu a infectasse," afirmou Marie-Aude, uma adolescente que sofre de psoríase desde os 10 anos de idade*.

 

Felizmente nem todas as crianças com psoríase passam por tais experiências desagradáveis, mas esta história mostra como a psoríase pode dificultar a rotina do dia-a-dia.


*In Pso, no. 70, March 2001, uma revista que é publicada pela “Association pour la lutte contre le psoriasis” (Associação de Luta Contra a Psoríase).

 

Quais as características da psoríase nas crianças?


A psoríase nas crianças assume frequentemente uma das seguintes formas:

  • Lesões nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo, que são geralmente persistentes (não vão e vêm).
  • Pequenas placas vermelhas que por vezes cobrem o corpo, desaparecendo de seguida durante várias semanas.

A psoríase é quase sempre muito desagradável para a criança. As placas causam frequentemente um grande desconforto e embaraço, originando um profundo impacto psicológico. A chacota das outras crianças pode agravar ainda mais a condição.


Se uma criança tem psoríase, precisa de fazer tudo o que está ao seu alcance para tratar as placas.
  
 

Como deve cuidar de uma criança com psoríase?


A criança deve ser examinada por um médico e tratada numa fase inicial da doença. Deve seguir os conselhos do médico o melhor possível e lembrar-se de aplicar regularmente os cremes prescritos. O tratamento deve ser administrado até as placas desaparecerem completamente.


O tratamento e os aconselhamentos relativamente aos pés são os mesmos que para um adulto, devendo a pele ser tratada cuidadosamente até sarar completamente. É preferível evitar os sapatos que não sejam adequados, mas que estejam na moda, pois podem magoar a pele. No entanto, depois da condição estar controlada, estas regras podem ser seguidas de uma maneira menos rígida.
 

 

Quais as actividades em que uma criança pode participar?

 

O bem-estar social e a forma física da criança são importantes e se esta gostar de praticar desporto, vá em frente.

 

Deve encorajar a sua criança com psoríase a praticar desporto e a participar em actividades físicas, certificando-se que este ou esta tem vários interesses, mas deve tomar cuidado para que a mesma parte do corpo não seja repetidamente sujeita a extensões. A psoríase pode aparecer se a pele for sujeita a extensões para além do seu limite. Por exemplo, pode acontecer quando uma criança anda demasiado tempo de bicicleta.


Não há qualquer razão para impedir a criança de praticar natação. A aplicação de vaselina nas áreas irritadas irá reduzir a irritação causada pelos químicos da água. As áreas afectadas devem ser secas cuidadosamente, sem esfregar.


 

Qual a melhor dieta para uma criança com psoríase?


As crianças com excesso de peso podem ser afectadas pela psoríase nas dobras cutâneas ou nas áreas em que a pele está mais esticada. Deve ter o cuidado de não deixar que o seu filho compense o stress emocional através da ingestão abusiva de alimentos.

Também é importante que o sistema imunitário da sua criança esteja saudável. Isto porque o seu sistema imunitário é ainda imaturo, tal como o resto do corpo, por isso uma dieta equilibrada é fundamental para ter a certeza que o sistema imunitário está na sua condição ideal.


Para além disso, como o fumo do cigarro afecta o sistema imunitário, deve certificar-se que a sua criança não seja exposta ao fumo ou que ela própria não se torne um(a) fumador(a).

 

 

Como posso ajudar uma criança com psoríase?


As crianças com psoríase devem receber todo o carinho possível da família. No entanto, não devem poder usar a sua condição para manipular ou chantagear emocionalmente os outros, devendo ser ensinadas a não considerarem a psoríase como uma deficiência.

 

As crianças baseiam normalmente a sua auto-confiança no seu aspecto e "imagem", por isso a chacota por causa das placas pode causar danos emocionais graves. As crianças têm que aprender a ignorar os comentários. Envolver as crianças (e o seu melhor amigo) em discussões com os seus professores pode ajudá-los a formar um ponto de vista social.


O stress psicológico (independentemente da causa, escolar ou familiar) pode ter impacto na condição, por isso se a psoríase da criança piorar, deverá considerar a hipótese de recorrer a um perito ou psicólogo logo numa fase inicial.
  
 

 

Diferentes formas de psoríase infantil


A psoríase infantil assemelha-se à psoríase dos adultos, causando comichão em 30% dos casos. No entanto, esta tem características clínicas específicas. O fenómeno de Koebner, no qual as lesões psoriásicas surgem em áreas de pele que foram traumatizadas ou irritadas, é muito comum nas crianças. Surge muitas vezes em áreas como as cicatrizes de vacinação ou numa lesão causada por uma queda de bicicleta.

O facto de uma criança sofrer de psoríase desde os primeiros anos de vida não é por si só um factor de prognóstico desfavorável. À semelhança, o aparecimento de psoríase grave durante a infância não significa que a criança irá continuar a sofrer de psoríase grave na fase adulta da sua vida. No entanto, dada a natureza crónica da psoríase, é muito possível que a criança continue a sofrer crises de psoríase pontuadas por períodos de remissão para o resto da sua vida.


 

1) Formas usuais

  • Psoríase das fraldas

A psoríase pode surgir numa fase muito inicial da vida, mas raramente surge desde o nascimento. No entanto, os bebés estão sujeitos a uma forma particular de psoríase denominada psoríase das fraldas. Esta é uma dermatose com lesões essencialmente nas nádegas devido à irritação da pele causada pela urina e fezes. Estas lesões não são obviamente psoriásicas, causando este tipo de psoríase problemas diagnósticos. É difícil ter a certeza se tem psoríase ou simplesmente uma dermatose nas nádegas que se assemelha à psoríase. Nas crianças mais velhas, a psoríase tem de ser distinguida da dermatose seborreica, que origina lesões nas dobras cutâneas, nas nádegas e no couro cabeludo. 
 

  • Psoríase em placas

Tal como os adultos, as crianças podem sofrer de psoríase em placas, que também é conhecida por psoríase vulgar. Esta consiste em lesões vermelhas claramente demarcardas cobertas por escamas brancas espessas. 
 

  • Psoríase gutata

A psoríase gutata é particularmente comum na infância.
Caracteriza-se pelo surgimento súbito de pequenas lesões vermelhas e escamosas, particularmente no tronco, braços e pernas.
Este tipo de psoríase segue-se habitualmente a uma infecção, como a otite ou rinofaringite. Uma zaragatoa normalmente revela uma infecção estreptocócica. A psoríase gutata é muitas vezes confundida com febre eruptiva. 
 
 

2) Formas severas


Tal como os adultos, as crianças também podem, em casos excepcionais, estar sujeitas a formas graves de psoríase, como a psoríase pustular ou eritrodérmica. Normalmente estas formas severas de psoríase necessitam de hospitalização. 

  • Psoríase pustular

Apesar de ser raro nas crianças, a psoríase pustular (ou pustulosa) pode surgir desde o nascimento. Esta condição é conhecida por psoríase pustular neonatal.
Caracteriza-se por erupções de pústulas amicrobinanas que podem ser as primeiras

manifestações de psoríase num indivíduo previamente não afectado ou uma complicação da psoríase vulgar. Pode ser desencadeada por uma infecção, stress ou vacinação, ou pela administração de determinados medicamentos. Frequentemente é apenas possível confirmar o diagnóstico de psoríase pustular depois da condição se desenvolver mais.
 

A psoríase pustular generalizada é normalmente acompanhada por acessos febris.
Nas regiões palmo-plantares (mãos e pés), a psoríase pustular tem recidivas e remissões, implicando por vezes uma grave incapacidade funcional.  

  • Psoríase eritrodérmica

As crianças com psoríase eritrodérmica ficam vermelhas da cabeça aos pés, estando muitas vezes sujeitas a febre e dor articular. A pele de determinadas partes dos seus corpos pode estar coberta de pústulas. Esta forma de psoríase pode marcar o início da condição ou complicar uma forma existente de psoríase. É normalmente desencadeada por uma infecção ou por determinados medicamentos.

  • Artrite psoriásica

A artrite psoriásica infantil é muito rara. É caracterizada por artrite combinada com pústulas ou lesões psoriásicas vermelhas. A artrite afecta unilateralmente as articulações pequenas e grandes dos dedos das mãos e dedos dos pés.


 

Localizações da psoríase


As lesões localizam-se virtualmente nos mesmo locais que as dos adultos. No entanto, ao passo que as lesões faciais são raras no adultos (presentes em 5,6% dos casos), são muito comuns nas crianças (presentes em 30% dos casos). As lesões localizam-se na testa e nas bochechas, que ficam muito vermelhas, envolvendo por vezes as sobrancelhas e as orelhas. As lesões faciais têm consequências profundas na capacidade do doente em criar relações. As outras partes do corpo que também são afectadas pela psoríase são:


Membranas mucosas, especialmente na língua que pode descamar, formando padrões que mudam de forma e posição de um dia para o outro (a que se denomina "língua geográfica");


Palmas das mãos e plantas dos pés, que apresentam hiperqueratose (espessamento da camada córnea);

 

Cotovelos, joelhos, zona lombar e couro cabeludo, que são as partes mais comuns afectadas pela psoríase.

 

Dobras cutâneas: à parte das crianças gorduchas que têm uma grande dobra cutânea por baixo do queixo, a dobra do pescoço raramente está envolvida. Tal como as dobras das axilas, que raramente são afectadas. Todavia, o umbigo é envolvido com muita frequência.

 

Unhas: um terço das crianças com psoríase infantil tem psoríase das unhas. Falamos de "distrofia das vinte unhas" quando todas as unhas estão envolvidas. Nesta condição, as unhas estão marcadas com pequenas depressões, assemelhando-se a um dedal.

 

Couro cabeludo: o couro cabeludo é frequentemente afectado. Deve realçar-se que as lesões no couro cabeludo são por vezes uma indicação de uma dermatose que afecta o couro cabeludo e as nádegas, e não de psoríase. 

 

Estratégicas terapêuticas


É muitas vezes difícil para as crianças e para os pais ouvirem que a psoríase é uma dermatose crónica que tem um impacto na qualidade de vida. Mesmo com as terapias eficazes disponíveis, não existe uma cura permanente.

Como a psoríase pode ser geneticamente transmitida, os pais têm tendência a ter sentimentos de culpa, especialmente se eles próprios sofrerem da condição. Um estudo** em 100 pessoas com psoríase demonstrou que 11% não pretendem ter filhos devido ao risco de transmissão. Os pais podem também preocupar-se quando descobrem que o stress é um factor desencadeador. Por último, o diagnóstico pode fazer sentirem-se impotentes por não saber como ajudar o seu filho a lidar com a sua condição.

Por estas razões, os dermatologistas devem tentar ajudar as crianças e as respectivas famílias a manterem a perspectiva, lembrando-lhe particularmente que a hereditariedade não é o único factor de conduz ao aparecimento da condição.

** Ramsay B. O'Reagan M. A Survey of the social and psychological effects of psoriasis, British Journal of Dermatology, 1988; 118: pp.195-201 
 
 

Diferentes tratamentos


O tipo de tratamento prescrito pelo dermatologista não deve ser apenas apropriado à forma clínica da psoríase, mas também deve ter em conta os desejos da criança (se esta tiver idade para os expressar) e dos pais. O dermatologista, os pais e a criança devem trabalhar em conjunto para encontrar o tratamento que melhor se adequa à criança. Os benefícios e os riscos de um tratamento devem ser pesados ainda com mais cuidado do que com os adultos, especialmente no que diz respeito aos tratamentos sistémicos. Devido à toxicidade de determinados medicamentos, existem menos tratamentos disponíveis para as crianças do que para os adultos.

A psoríase infantil é habitualmente tratada sequencialmente, com o tratamento a ser alterado de três em três meses (sendo o tratamento aplicado do mesmo modo que aos adultos). As lesões são menos visíveis durante o verão devido à exposição ao sol. Deve recomeçar-se o tratamento quando surgem novas erupções, mantendo-se a aplicação do tratamento até as lesões desaparecerem.
 

 

Tratamentos locais (tópicos)


Normalmente, os tratamentos locais são utilizados isoladamente para tratar a psoríase nas crianças.

O mais importante é manter a pele hidratada, normalmente tomando banhos com emolientes e utilizando cremes hidratantes.
As pomadas à base de corticóides são muito eficazes no tratamento de lesões psoriásicas. 
 
 

Tratamentos sistémicos


O dermatologista pode sugerir um tratamento sistémico quando a psoríase é muito disseminada ou intensa, ou quando esta está a ter um impacto muito profundo na vida do doente.
 
Os tratamentos sistémicos podem ter efeitos secundários e as suas vantagens e desvantagens devem ser cuidadosamente pesadas, quer para a criança, quer para a sua família. Estes medicamentos são geralmente prescritos durante um curto período de tempo e a sua utilização tem de ser cuidadosamente monitorizada.
 
A fototerapia PUVA é geralmente usada apenas para as crianças com mais de 15 anos, pois aumenta o risco de cancro. No entanto, as crianças que sofrem de psoríase disseminada resistente a outras terapias podem, excepcionalmente, beneficiar com algumas sessões de fototerapia PUVA.
 

A fototerapia UVB é também desaconselhada para as crianças, apesar de alguns dermatologistas ocasionalmente a prescreverem em caso de psoríase grave resistente ao tratamento.
 

Os retinóides são usados para tratar a psoríase pustular e eritrodérmica, assim como o reumatismo psoriásico. As crianças têm que ser cuidadosamente monitorizadas para se ter a certeza que os retinóides não estão a inibir o seu crescimento.
 

Os imunossupressores, como os imunossupressores selectivos, determinados inibidores alfa do TNF podem ser por vezes prescritos, mas apenas quando outras terapias não tiveram sucesso. Estes tratamentos devem ser cuidadosamente monitorizados porque aumentam o risco de cancro.

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